Assistentes de IA podem citar decisões com número de processo, relator e ementa que não existem. Para quem advoga, isso resume o risco: o texto parece jurídico, o raciocínio parece sólido e a fonte é inventada. Por isso nenhum prompt desta página pede que a IA cite lei, súmula ou jurisprudência. Quando a tarefa envolve isso, o prompt pede um roteiro de pesquisa, e a pesquisa em si é feita no site do tribunal ou na base que você usa.
O que o assistente faz com proveito é o trabalho de organização e de linguagem: resumir uma decisão longa em tópicos, montar a linha do tempo a partir do relato confuso do cliente, explicar o andamento em palavras simples, revisar clareza e pontuação de um parágrafo sem mexer nos termos técnicos. Em todos esses casos, você compara o resultado com o original antes de usar. Um "poderá" que vira "deverá" muda o sentido, e é o tipo de troca que passa despercebida na pressa.
Sigilo profissional vale também aqui. Antes de colar qualquer texto, anonimize: partes, CPF, endereços, números de processo e fatos que identifiquem o cliente. Verifique o que a OAB e a política do seu escritório dizem sobre ferramentas de IA, e o que o contrato do assistente prevê sobre uso dos dados que você digita. Para casos sensíveis, prefira não usar.
Por fim, o modelo de documento. Uma notificação ou uma carta de cobrança gerada por IA é um rascunho: a fundamentação legal, os prazos e as consequências são decisão sua. Use os modelos para ganhar tempo no que é repetitivo e reserve a atenção para o que depende de julgamento: a estratégia do caso, a escolha do argumento, o tom da conversa com o cliente em um momento difícil. Nenhum desses é tarefa para um assistente, por mais fluente que ele pareça.
O que não colar no assistente
- Dados das partes, CPF, números de processo.
- Peça com estratégia de um caso em andamento.
- Citação de lei ou de decisão sem abrir a fonte oficial.